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A HISTÓRIA DE CHARLES LUCKY LUCIANO

Lucky Luciano era o apelido de Salvatore Lucania, nascido em 24 de novembro de 1897 em Lercara Friddi na Sicília. Lucky Luciano criou e dirigiu a comissão da máfia, formada pelas cinco famílias mafiosas mais poderosas de Nova York, e por isso ele é considerado o pai do crime organizado nos Estados Unidos. Charles Lucky Luciano tinha um sócio, Meyer Lansky, e juntos, eles eram os cérebros por trás do Sindicato Nacional do Crime nos Estados Unidos.

Durante muitos anos Luciano foi o chefe da família mafiosa que atualmente é conhecida como Genovese, considerada o Rolls Royce do crime organizado, e que antes se chamava família Morello, mas que nos tempos de Charles Luciano, se chamava Família Luciano.

 

Os primeiros anos de Charles Lucky Luciano

Salvatore Lucania nasceu em 24 de novembro de 1897 em Lercara Friddi na Sicília. Seus pais, Antonio e Rosalia Lucania, tiveram outros quatro filhos: Bartolomeo (nascido em 1890), Giuseppe (nascido em 1898), Filippa (nascida em 1901 ), e Concetta. O pai de Luciano trabalhava em uma mina de enxofre na Sicília. Em 1907, quando o pequeno Charles Luciano tinha nove anos de idade a família emigrou para os Estados Unidos e foram morar em Nova York, no bairro de Manhattan, em Lower East Side que naqueles dias era um lugar muito popular entre os imigrantes italianos.

Quando completou 14 anos, Charles Luciano largou a escola e arrumou um trabalho com entrega de chapéus onde recebia 7 dólares por semana, até que um dia ele ganhou 244 dólares em um jogo de dados. Charles Luciano largou o emprego e começou a ganhar dinheiro na rua.

Charles Luciano ainda era um adolescente quando começou a sua própria gangue e foi membro da antiga Gangue Dos Cinco Pontos. Luciano ainda não se metia com crimes, como a maioria das gangues fazia, ao invés disso ele oferecia proteção para garotos judeus por 10 centavos por semana. Enquanto a primeira guerra mundial estava a todo vapor, Charles Luciano estava aprendendo o negócio da cafetinagem. Foi nessa época que ele conheceu Meyer Lansky, futuro parceiro de negócios e amigo próximo.

Entre 1916 e 1936, Charles Luciano foi preso 25 vezes sob acusações de agressão, jogo ilegal, chantagem e roubo, mas ele nunca ficava muito tempo na prisão.

Ninguém sabe com certeza como Charles Luciano ganhou o apelido de Lucky, mas pode ter sido pelo fato de ter sobrevivido a surra que ganhou de três homens no final dos anos 20, incluindo um corte no rosto, por ter se recusado a trabalhar para um chefe da máfia. Outra possibilidade é que o apelido de seja consequência da pronúncia incorreta de seu sobrenome “Lucania”.

 

Lei seca nos anos 20

A lei seca durou de 1920 até 1933

 

Lucky Luciano durante a lei seca

De 17 de Janeiro de 1920 até 5 de dezembro de 1933 a fabricação, a venda e o transporte de bebidas alcoólicas foram absolutamente proibidos nos Estados Unidos, a lei que proibia o alcool ficou popularmente conhecida como Lei Seca. O problema é que a lei seca não era muito popular e a demanda por bebidas alcolicas continuou alta e isso proporcionou aos criminosos que fabricavam ou contrabandeavam bebidas uma altíssima fonte de renda.

Em 1920 Lucky Luciano conheceu muitos futuros líderes da máfia, incluindo Vito Genovese e Frank Costello, que era um amigo antigo dos tempos da Gangue Dos Cinco Pontos e futuro parceiro de negócios. Na mesma época, Luciano e seus colaboradores mais próximos começaram a trabalhar para o jogador Arnold “The Brain” Rothstein. Rothstein estava de olho no gigantesco ganho financeiro que a lei seca podia trazer e, literalmente, educou Charles Luciano sobre os negócios relacionados ao álcool. Luciano, Costello, e Genovese começaram a sua própria operação de contrabando de bebidas com financiamento do Rothstein. Ainda em 1920 o mafioso Joe Masseria, chefe da família Morello, recrutou Lucky Luciano como um de seus homens armados.

Arnold Rothstein foi um mentor para Luciano e, entre outras coisas, Rothstein ensinou como se comportar na alta sociedade. Anos mais tarde Luciano diria sobre Arnold Rothstein: Ele me ensinou tudo, até mesmo como me vestir.

Em 1923, depois de uma transação de drogas onde tudo deu errado e que danificou sua reputação, Charles Lucky Luciano comprou os 200 lugares mais caros da luta de boxe entre Jack Dempsey e Luis Firpo e distribuiu todos entre os gangsters mais poderosos e os políticos mais influentes de Nova York. Rothstein levou Luciano para as lojas elegantes de Manhattan, para comprar roupas caras para a luta. A estratégia funcionou, e a reputação de Charles Lucky Luciano foi salva.

Em 1925 Charles Lucky Luciano, com apenas 28 anos, estava ganhando mais de 12 milhões de dólares por ano. Depois de subornar os políticos, juízes e policiais ele ainda ficava com 4 milhões de dólares, que, corrigidos pela inflação seriam mais de 50 milhões de dólares atualmente. Charles Luciano e seus colaboradores tinham a maior operação de contrabando de bebidas de Nova York e também estavam entre os maiores da Filadélfia. Ele trazia whisky da Escócia, rum do Caribe e bourbon do Canadá. Além disso, Charles Lucky Luciano também controlava negócios relacionados ao jogo ilegal que geravam grandes somas em lucro.

 

Lei seca

Bebida senso descartada durante a lei seca

 

Uma nova era para a máfia

Charles Lucky Luciano logo se tornou importante como assessor na família Morello do chefe mafioso Joe Masseria. Ao contrário de Arnold Rothstein, Masseria era um homem iletrado, de maus modos e não era eficiente no gerenciamento da família. No final de 1920 o grande rival de Masseria era o siciliano, também chefe da máfia, Salvatore Maranzano que não aceitou pagar comissão para Masseria, dando inicio a infame Guerra Castellammarese, que durou de 1928 até 1931 e resultou nas mortes de Maranzano e Masseria.

Masseria e Maranzano começaram suas carreiras criminosas ainda na Itália e seguiam a linha mais tradicional como chefes da máfia. Eles acreditavam em manter os antigos princípios de honra, tradição, respeito e dignidade da máfia italiana. Estes chefões se recusavam a trabalhar com quem não era italiano, e tinham certa desconfiança em trabalhar com quem não era siciliano. Naquela época, alguns dos chefes mais tradicionais só trabalhavam com homens que tinham vindo da sua própria cidade ou aldeia na Sicília. Charles Luciano pensava diferente e estava disposto a trabalhar com gangsters italianos, judeus e irlandeses. Por isso ele ficou chocado quando ouviu mafiosos sicilianos tradicionais falando mau sobre alguns amigos próximos como Meyer Lansky, que era judeu, e Frank Costello, que era italiano da Calábria, um não siciliano que costumava ser chamado de “calabres sujo” pelos mafiosos tradicionais.

Charles Lucky Luciano começou a fazer amizade com outros mafiosos mais jovens que tinham nascido na Itália e começado suas carreiras criminosas nos Estados Unidos. Esses jovens mafiosos eram conhecidos como os Jovens Turcos e se irritavam com o conservadorismo de seus chefes. Lucky Luciano queria usar as lições que aprendeu com Arnold Rothstein para transformar uma gangue violenta e mau gerenciada em um negócio profissional e bem organizado.

Enquanto a guerra entre Masseria e Maranzano prosseguia, o grupo de amizades de Charles Lucky Luciano passou a incluir futuros líderes da máfia como Frank Costello, Vito Genovese, Albert Anastasia, Joe Adonis, Joe Bonanno, Carlo Gambino, Joe Profaci, Tommy Gagliano, e Tommy Lucchese. Os jovens turcos acreditavam que o conservadorismo e a ganância dos chefões impediam que eles progredissem e ganhassem mais dinheiro. Enquanto as famílias da máfia italiana eram conservadoras, desorganizadas e frequentemente entravam em conflito umas com as outras, as gangues de judeus e as gangues de irlandeses estavam crescendo e ficando ricas.

A inovação de Charles Lucky Luciano foi a ideia de criar um sindicato nacional do crime onde as famílias da máfia italiana poderiam resolver suas diferenças, estabelecer seus territórios, negociar propinas e se ajudar mutuamente para que todos crescessem juntos. O sindicato também deveria negociar e resolver diferenças com associados da máfia como gangues de irlandeses e gangues de judeus. Na visão de Charles Luciano o sindicato funcionaria como uma empresa onde as grandes famílias da máfia resolveriam os problemas e decidiriam sobre novos negócios. O tempo de guerras entre as famílias chegaria ao fim, agora os conflitos seriam resolvidos por executivos, representantes de todas as grandes famílias, ao redor de uma mesa. Com organização, colaboração e planejamento não haveria limites para a quantidade de dinheiro que a máfia poderia gerar.

Em outubro de 1929, Charles Lucky Luciano foi convidado por três homens armados a entrar em uma limousine com destino desconhecido. Luciano foi esfaqueado e brutalmente espancado, e depois foi jogado em uma praia de Staten Island mas sobreviveu a provação com uma cicatriz e um problema no olho. Quando foi encontrado pela polícia depois do espancamento, Luciano disse que não sabia quem tinha feito isso mas em 1953, Luciano disse em uma entrevista que foi sequestrado e espancado por policiais. Outra versão da história conta que Maranzano ordenou o espancamento e, nesse caso, Luciano estaria cumprindo a ormeta quando não denunciou seus agressores para as autoridades. A consequência mais importante deste de tudo isso foi a cobertura da imprensa que acabou apresentando Charles Lucky Luciano para o grande público de Nova York.

 

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Chefões da máfia italiana

 

Charles Lucky Luciano faz a sua jogada

No início de 1931, Lucky Luciano decidiu matar Masseria. A guerra contra Maranzano estava indo mal para Masseria, e Charles Luciano encontrou um jeito de trocar de lado. Em um acordo secreto com Maranzano, Luciano aceitou matar Joe Masseria para se tornar o chefe da família Morello (no lugar de Masseria), e de ser o segundo na organização, abaixo apenas do próprio Maranzano, a quem Luciano deveria pagar comissão sobre os negócios da família Morello.

Em 15 de abril de 1931, Charles Lucky Luciano convidou Joe Masseria e outros dois sócios para o almoço em um restaurante de Coney Island. Depois de terminar a refeição os mafiosos foram jogar cartas e durante o jogo Luciano pediu licença e foi ao banheiro. Enquanto Lucky Luciano estava no banheiro quatro homens armados (Vito Genovese, Albert Anastasia, Joe Adonis e Benjamin “Bugsy” Siegel) entraram no restaurante e mataram a tiros o mafioso Joe Masseria e seus dois homens. Com a bênção de Maranzano, Luciano assumiu a família Morello, de Masseria, e se tornou tenente de Maranzano. A Guerra Castellammarese chegava ao fim.

Depois da morte de Masseria, Maranzano dividiu todas as gangues e famílias da máfia italiana em Nova York em apenas cinco famílias. Como parte do acordo com Maranzano, Luciano assumiu a antiga família de Masseria. As outras quatro famílias mafiosas eram chefiadas por Maranzano, Joe Profaci, Tommy Gagliano, e Vincent Mangano. Maranzano prometeu que todas as cinco famílias seriam iguais e livres para ganhar dinheiro dentro dos limites de seus territórios. Mas o fato é que em uma reunião de chefes da máfia em Upstate, New York, Maranzano se declarou Capo Di Tutti Capi (chefe de todos os chefes), o chefe absoluto do crime organizado em toda a América. Maranzano também aumentou as comissões que as outras famílias deveriam pagar a ele e isso reduzia o lucro dos outros mafiosos.

No inicio, Charles Lucky Luciano aceitou todas as condições impostas por Maranzano, mas fez isso apenas para ganhar tempo antes de matar Maranzano. Luciano achava que Maranzano tinha uma visão de futuro um pouco mais ampla do que a de Masseria, mas também sabia que Maranzano era muito mais inflexivel e ganacioso do que Masseria.

Em setembro de 1931, Maranzano percebeu que Charles Lucky Luciano poderia ser uma ameaça e contratou Vincent “Mad Dog” Coll, um gangster irlandês, para matar Charles Luciano. Tommy Lucchese, que descobriu sobre o plano de Maranzano, avisou Lucky Luciano que ele estava marcado para morrer. No dia 10 de setembro Maranzano ordenou a Lucky Luciano e Vito Genovese que viessem ao seu escritório em Manhattan. Nesse ponto Luciano e Genovese já tinham certeza de que Maranzano tinha planejado suas mortes. Charles Lucky Luciano decidiu agir primeiro.

Meyer Lansky e Benjamin “Bugsy” Siegel, que eram judeus, ajudaram no planejamento e indicaram os quatro gangsters judeus (que não eram conhecidos pelos seguranças de Maranzano) que Luciano mandou para o escritório de Maranzano disfarçados como agentes do governo. Dois dos gangsters judeus desarmaram os guarda costas de Maranzano enquanto os outros dois, ajudados por Tommy Lucchese, esfaquearam Maranzano muitas vezes antes de atirar nele.

O assassinato de Maranzano foi o primeiro do que viria a ser conhecido como a “Noite das Vésperas sicilianas“. No dia 13 de setembro os corpos de dois aliados de Maranzano, Samuel Monaco e Louis Russo foram encontrados na baía de Newark com sinais de tortura. Enquanto isso, Joseph Siragusa, líder da máfia em Pittsburgh, foi assassinado a tiros na sua própria casa. Em 15 de outubro Joe Ardizonne, chefe da máfia em Los Angeles, desapareceu e esse desaparecimento, que até hoje não foi solucionado, foi considerado parte do plano de Charles Lucky Luciano para matar rapidamente os chefes sicilianos tradicionalistas do velho mundo.

 

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Mafiosos amigos de Charles Lucky Luciano

 

Charles Luciano e a Cosa Nostra

Com a morte de Maranzano, Charles Lucky Luciano se tornou o chefe do crime organizado nos Estados Unidos, ele alcançou o auge, era o chefe mais temido, poderoso e influente da máfia em todo o país. Agora o crime iria se profissionalizar. Luciano criou o sindicato do crime organizado, junto com os chefes das famílias mais importantes do país, e era o “diretor” desse sindicato. O sindicato ditava as regras, a política e as atividades do crime.

Luciano também tinha a sua própria família mafiosa, que controlava negócios lucrativos em Nova York, como jogo ilegal, apostas, agiotagem, tráfico de drogas, e extorsão. Luciano construiu uma influencia muito forte entre os grandes sindicatos do país e controlava a Manhattan Waterfront, o serviço de recolhimento de lixo da cidade, o ramo de construção, as grandes lojas de roupas do centro, o transporte em caminhões e o porto, além de outras áreas. O funcionamento dos principais serviços e atividades da cidade de Nova York dependiam da aprovação de Charles Luciano e das comissões que ele recebia para fazer com que os sindicatos não parassem os serviços.

Sob o ponto de vista dos mafiosos a coisa era linda. Se a máfia não recebesse os funcionários do porto inventavam um motivo e faziam greve até a máfia ordenar que a greve acabasse. Se a máfia não recebesse os caminhoneiros faziam greve, ou os lixeiros, ou os trabalhadores da construção civil…

O controle dos grandes sindicatos só foi possível com a união das grandes famílias e a organização do crime com o sindicato da máfia. O negócio era uma mina de ouro, o dinheiro jorrou aos milhões durante muitos anos e a máfia nunca tinha sido tão rica e nem tão poderosa. Com uma soma incalculável de dinheiro e tanto poder, a máfia pagava propinas para muitos políticos, juizes e policiais. Muitas campanhas políticas foram financiadas com dinheiro da máfia, eram os anos dourados da máfia italiana.

Charles Lucky Luciano aboliu o título de Capo Di Tutti Capi (chefe de todos os chefes) e disse que a posição criava problemas entre as famílias. Em vez de se declarar o mais poderoso e ser um alvo para as outras famílias mafiosas, Charles Luciano preferiu manter o controle fazendo alianças com os chefes das famílias mais importantes.

Charles Lucky Luciano achava que a cerimônia para se tornar um “homem feito“, ou um “Nostro Amico“, em uma família mafiosa deveria ser proibida por não fazer sentido para quem não era siciliano. Foi Meyer Lansky que convenceu Luciano a manter a cerimonia dizendo que os jovens precisam de rituais que incentivam a obediência a família. Por outro lado, Charles Luciano respeitava, valorizava e dava muita importância para a omertà, que é o juramento de silêncio da máfia. Finalmente, Luciano manteve as cinco famílias da máfia que tinham sido criadas por Maranzano.

Luciano mudou o nome da Família Morello, que tinha sido chefiada por Joe Masseria, para Família Luciano e promoveu seus associados italianos de maior confiança para os cargos mais importantes. Genovese era o sub chefe e Costello era o consigliere. Michael “Trigger Mike” Coppola, Anthony Strollo, Joe Adonis, e Anthony Carfano eram caporegimes. Meyer Lansky e Benjamin “Bugsy” Siegel eram judeus e não eram italianos, por isso a comissão do crime não aprovou qualquer posição oficial para eles dentro de qualquer família mafiosa da Cosa Nostra. Apesar de tudo, Lansky foi o conselheiro mais importante de Luciano e Siegel foi um de seus associados mais confiáveis.

 

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Organização da Comissão da máfia com Charles Lucky Luciano no topo

 

A comissão, ou sindicato do crime organizado

Charles Lucky Luciano, aconselhado pelo ex chefe da máfia em Chicago, Johnny Torrio, criou a Comissão para ser o órgão administrativo do crime organizado, para resolver as disputas e definir quais famílias iriam controlar quais territórios. A Comissão foi a maior inovação de Lucky Luciano para o mundo do crime. Luciano era o diretor da comissão da máfia e tinha a sua própria família, agora Família Luciano, que era a mais rica do país, mas ele nunca ostentava o seu poder sobre todas as outras famílias da máfia. Enquanto ele esteve a frente da comissão os mafiosos pararam de se matar, as famílias da máfia italiana não entraram em nenhuma guerra e não houve nenhuma grande disputa. Luciano tinha reconhecimento como um chefe severo, porém justo.

Originalmente, a comissão era composta por representantes das cinco famílias de Nova York, a família mafiosa da Filadélfia, a família mafiosa de Buffalo, a família mafiosa de Los Angeles, e a família mafiosa de Chicago controlada por Al Capone. Mais tarde, a família mafiosa de Detroit e família mafiosa de Kansas City também entraram para a comissão. Os chefes de cada uma das famílias da máfia italiana que faziam parte da comissão deveriam ter o mesmo poder, cada um deles poderia votar em qualquer assunto que a comissão estivesse discutindo, os votos de cada um deles deveriam ter o mesmo peso em qualquer decisão, mas, na realidade, alguns chefes eram mais poderosos do que outros.

A Comissão da máfia também representava outras organizações criminosas em Nova York, como por exemplo gangues irlandesas ou criminosos judeus que tinham “negócios” em Nova York mas que não tinham base na cidade.

O primeiro teste de resistência da Comissão veio em 1935, quando ela decidiu que a gangue do chefe Dutch Schultz deveria desistir de seus planos para assassinar o fiscal especial Thomas Dewey. Lucky Luciano disse que o assassinato de Dewey teria como consequência uma enorme repressão policial. Mesmo assim Schultz disse que ia matar Dewey (ou seu assistente David Asch) nos próximos três dias, mesmo sem a aprovação da Comissão, então a Comissão se reuniu rapidamente e votou o assassinato de Schultz. no dia 24 de outubro de 1935, Schultz foi assassinado em um taberna em Newark, New Jersey.

 

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Charles Lucky Luciano e seus amigos

 

Charles Lucky Luciano e a prostituição

No início dos anos 30, a família de Charles Lucky Luciano começou a participar de pequenos negócios de prostituição em Nova York. Em junho de 1935, o governador de Nova York, Herbert H. Lehman nomeou Thomas E. Dewey como promotor especial para combater o crime organizado em Nova York. Dewey percebeu que poderia atacar Charles Luciano, o chefe da máfia mais poderoso da cidade, através da rede de prostituição operada pela família Luciano.

No dia 2 de fevereiro de 1936, Dewey coordenou uma invasão policial em 200 bordéis no Brooklyn e em Manhattan, o que o tornou nacionalmente conhecido como “gangbuster”. No total, dez homens e 100 mulheres foram presos, mas, ao contrário das invasões anteriores, Dewey não liberarou os detidos, em vez disso, ele levou todos para o tribunal onde um juiz definiu as fianças em 10.000 dólares cada uma, ninguém tinha como pagar. Em março, muitos destes réus já estavam relacionando Charles Lucky Luciano a rede de prostituição. Três acompanhantes indicaram Lucky Luciano como o líder que fazia as coletas de dinheiro. Na verdade era David Betillo que comandava a rede de prostituição da máfia em Nova York, e Lucky Luciano recebia de Betillo, mas, mesmo assim as declarações das prostitutas dizendo que Luciano recebia o dinheiro pessoalmente foram registradas e aceitas.
No final de março de 1936, um informante disse a Charles Lucky Luciano que ele seria preso e Luciano fugiu para Hot Springs no Arkansas. Infelizmente para Luciano, um detetive de Nova York que estava em Hot Springs em um trabalho completamente diferente informou Dewey.

No dia 3 de abril de 1936, Charles Lucky Luciano foi preso em Hot Springs. No dia seguinte, em Nova York, Dewey indiciou Charles Luciano e seus cúmplices com 60 acusações de prostituição compulsória. Os advogados de Charles Luciano no Arkansas começaram uma verdadeira e feroz batalha contra a extradição. No dia 6 de abril, alguém ofereceu um suborno de 50.000 dólares para que o procurador geral Carl E. Bailey facilitasse o caso de Luciano, mas, Bailey recusou o suborno e divulgou o caso para a imprensa. No dia 17 de abril, depois de esgotar todas as possibilidades legais, as autoridades do Arkansas entregaram Luciano para três detetives do departamento de polícia da cidade de Nova York, para que levassem Charles Lucky Luciano de volta para Nova York para que fosse julgado. Eles embarcaram em um trem e quando os detetives e seu famoso prisioneiro chegaram em St. Louis no Missouri, eles receberam o apoio de 20 policiais locais para impedir uma possível tentativa de resgate por parte da máfia. Os homens chegaram em Nova York no dia 18 de abril, e Luciano foi preso sem fiança.

O julgamento de Charles Lucky Luciano começou no dia 13 de maio de 1936. Ele foi acusado de comandar uma enorme rede de prostituição conhecido como “A combinação”. Durante o julgamento, Dewey expos algumas mentiras de Luciano usando registos de chamadas telefônicas. Charles Lucky Luciano também não foi capaz de explicar os registros de imposto de renda federal onde declarava ganhos de apenas 22.000 dólares por ano, mesmo sendo, obviamente um multi milionário. Dewey pressionou Charles Luciano mostrando seus registros de prisões antigas e chamando a atenção para os seus relacionamentos com gangsters conhecidos como Ciro Terranova, Louis Buchalter, e Joseph Masseria.

No dia 7 de junho de 1936, Charles Lucky Luciano foi condenado nas 62 acusações de prostituição compulsória. Em 18 de julho de 1936 Charles Luciano foi condenado a cumprir de 30 a 50 anos na prisão, junto com Betillo e outros gangsters.

Muita gente questionou se existiam provas suficientes para apoiar as acusações contra Luciano. A verdade é que quase todas as famílias da máfia, incluindo a família Luciano, lucraram com a prostituição e extorquiram dinheiro de cafetinas, madames e dos donos dos bordéis, mas, como a maioria dos chefes da máfia, Lucky Luciano criou várias camadas de isolamento entre ele e os atos criminosos. É muito improvável que um homem como Charles Lucky Luciano tenha frequentado bordeis para, pessoalmente, cobrar trocados de umas poucas prostitutas, e menos provável ainda que ele, pessoalmente, gerenciasse uma grande rede de bordeis. Na época, pelo menos duas pessoas negaram que Lucky Luciano participava da rede de bordeis “Combinação”. Em suas memórias, a senhora Polly Adler escreveu que se Luciano tivesse realmente algum envolvimento com “A combinação”, ela saberia. Joseph Bonanno também negou que Luciano estivesse diretamente envolvido com a prostituição na sua auto biografia, um homem de honra.

 

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Jornal The New York Times anunciando a condenação de Charles Lucky Luciano

 

Charles Lucky Luciano na prisão

Mesmo estando preso, Lucky Luciano continuou controlando a família Luciano de dentro da prisão, ele enviava as ordens através de seu chefe interino, Vito Genovese. Em 1937, quando Genovese fugiu para Nápoles na Itália, para evitar uma tentativa de assassinato iminente da qual tinha sido informado em Nova York, Luciano nomeou seu consigliere, Frank Costello, como seu novo chefe interino e como “superintendente de interesses de Charles Luciano”.

No inicio Charles Lucky Luciano ficou preso em Sing Sing, em Ossining, Nova Iorque, mas em 1936 foi transferido para Clinton Correctional Facility em Dannemora, Nova York, longe da cidade de Nova York. No presidio Clinton, Luciano tinha muitos previlegios, recebia visitas quando queria, tinha acesso a uma sala privada, Dave Betillo, que estava preso com Luciano, preparava pratos especiais para eles em uma cozinha bem equipada que ficava ao lado de uma sala utilizada pelos agentes de segurança. Charles Lucky Luciano decidiu trabalhar e escolheu a lavanderia da prisão. Luciano usou sua influência para conseguir os materiais necessários para a construção de uma igreja na prisão, que ficou famosa por ser uma das poucas igrejas independentes no sistema prisional do Estado de Nova York e também pelo fato de que no altar da igreja estão duas das portas originais do navio Victoria, de Fernão de Magalhães.

Os advogados de Charles Lucky Luciano continuaram apelando contra a sua prisão até 10 de outubro de 1938, quando a Suprema Corte dos EUA se recusou a rever o caso. Então, Luciano deixou o cargo de chefe, e Frank Costello assumiu formalmente a família.

 

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Charles Lucky Luciano preso

 

A contribuição de Charles Luciano durante a segunda grande guerra

Durante a Segunda Guerra Mundial o governo dos Estados Unidos fez um acordo secreto com Charles Lucky Luciano, que estava preso. No ano de 1942 o Escritório de Inteligência Naval dos Estados Unidos estava preocupado com os agentes alemães e italianos que entram no país pela orla de Nova York. Eles também se preocupava com a sabotagem nas instalações navais. Sabendo que a Cosa Nostra controlava os portos da cidade, a Marinha procurou Meyer Lansky para oferecer um acordo para Charles Lucky Luciano. Para facilitar as negociações, o Estado de Nova York transferiu Luciano da prisão de Clinton para Great Meadow em Comstock, New York, que ficava muito mais perto de cidade de Nova York.

A Marinha, o Estado de Nova York e Charles Lucky Luciano chegaram a um acordo, em troca de sua liberdade e extradição para a Itália, Luciano usaria a sua organização criminosa para fornecer apoio e informações de inteligência para a Marinha. Albert Anastasia, associado de Luciano, que controlava as docas, impediu as greves dos trabalhadores portuários durante a guerra. Em 1943, durante a invasão da Sicília, Charles Lucky Luciano entrou em contato com as famílias mafiosas sicilianas e pediu que elas apoiassem a invasão, isso facilitou muito o trabalho que os americanos e ingleses tiveram para invadir a Sicília.

A importância das contribuições de Lucky Luciano para o esforço de guerra é um assunto muito debatido, um relatório de 1954 encomendado pelo governador Dewey afirma que Charles Luciano forneceu muitos serviços valiosos para a Inteligência Naval mas o próprio Lucky Luciano disse que o naufrágio do navio SS Normandie no porto de Nova York foi feito pelo irmão de Anastasia, Anthony Anastasio, para provocar intencionalmente o medo de sabotagem nas instalações navais da cidade, mas, uma investigação oficial sobre o naufrágio do navio não encontrou nenhuma evidência de sabotagem orquestrada pela máfia.

Uma curiosidade interessante é que Mussolini estava lutando a anos contra as famílias mafiosas da Sicília e muitos dos chefões da máfia siciliana estavam presos quando os Estados Unidos invadiram a ilha. Como recompensa pelo apoio a invasão, os americanos libertaram os prisioneiros da Sicília, pensaram que fossem prisioneiros políticos, afinal de contas, eram amigos das pessoas que ajudaram e apoiaram a invasão e pareciam ter influencia sobre o povo. Pois bem, os americanos não apenas colocaram esses gangsters em liberdade como também deram cargos administrativos importantes para eles. Não se sabe se isso foi parte das negociações do governo dos Estados Unidos com Charles Luciano, mas, depois da invasão a máfia estava mais forte do que nunca na Sicília e com poder suficiente para alcançar toda a Itália.

No dia 3 de janeiro de 1946, como recompensa por sua colaboração em tempo de guerra, o governador Thomas E. Dewey libertou Charles Lucky Luciano da prisão com a condição de que ele aceitasse a deportação para a Itália. Luciano afirmava que era um cidadão norte americano e que não estava sujeito a deportação, mas, mesmo assim aceitou o acordo. No dia 2 de fevereiro de 1946, dois agentes federais de imigração transportaram Luciano da prisão de Sing Sing para Ellis Island, em Nova York, onde Luciano aguardou o processo de deportação. Em 9 de fevereiro, a noite, antes de sua partida, Lucky Luciano jantou espaguete em seu cargueiro junto com Anastasia e cinco outros amigos.

No dia 10 de fevereiro de 1946 o navio de Lucky Luciano zarpou de porto Brooklyn para a Itália. Esta foi a última vez que Charles Luciano veria os Estados Unidos. Em 28 de fevereiro, depois de uma viagem de 17 dias, o navio de Luciano chegou em Nápoles e ele disse aos repórteres que provavelmente iria morar na Sicília.

Luciano ficou profundamente magoado por deixar os Estados Unidos, o país que ele considerava sua casa desde a sua chegada aos 9 anos de idade. Durante o exílio, Luciano encontrava militares e turistas americanos com frequência durante as viagens de trem que fazia pela Itália. Charles Luciano gostava desses encontros e costumava dar autógrafos e posar para fotografias.

Em 18 de julho de 1936 Charles Lucky Luciano recebeu uma condenação com pena entre 30 e 50 anos na prisão. Durante o tempo que passou preso ele teve regalias e continuou gerenciando a família de dentro do presidio até 1938. Depois disso ele ainda participava do processo de tomada de decisões da comissão e da sua família. Em 1942 Lucky Luciano começou a ajudar os Estados Unidos no esforço de guerra e em 1946 foi posto em liberdade e deportado. Lucky Luciano, que deveria cumprir no minimo 30 anos de prisão e no máximo 50 anos, foi posto em liberdade poucos meses antes de completar 10 anos preso.

Quando deixou a América, Charles Lucky Luciano era uma lenda. O prisioneiro acusado de exploração da prostituição que ajudou a maior potencia militar do mundo a invadir a Sicília e garantiu que a cidade de Nova York não sofreria com nenhum contratempo nos seus serviços excenciais. O gangster que informava os serviços de inteligencia americanos sobre sabotagens de guerra e protegia as docas. O verdadeiro poderoso chefão, que veio de uma família pobre e se tornou um dos homens mais ricos, poderosos, influentes e temidos da América.

 

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Alguns mafiosos e gangsters citados neste artigo

 

Charles Lucky Luciano e a Conferência de Havana

Em outubro de 1946, Charles Lucky Luciano se mudou em segredo para Havana, em Cuba. Luciano embarcou em um cargueiro de Nápoles para Caracas, na Venezuela, e depois, tomou um avião para o Rio de Janeiro. Em seguida Luciano viajou para a Cidade do México e de lá, novamente para Caracas, na Venezuela, onde usou um avião particular para chegar em Camaguey, Cuba. No dia em 29 de outubro Luciano foi levado para Havana, onde se mudou para um sítio com vista para o mar.

Charles Lucky Luciano se mudou para Cuba para ficar mais perto dos Estados Unidos, isso possibilitaria a retomada do controle sobre as operações da Cosa Nostra. Ele também acreditava que um dia conseguiria voltar para os Estados Unidos. Quando Luciano chegou em Havana, seu sócio e amigo, Meyer Lansky, já estava estabelecido como um dos mais importantes investidores em projetos de jogos e hotelaria em Cuba.

Em dezembro de 1946, Meyer Lansky convocou uma reunião com os chefes das principais famílias da Comissão em Havana. A razão aparente da viagem era para ver o cantor Frank Sinatra, mas, a verdadeira razão era a discussão dos negócios da máfia com Charles Luciano. Os três principais temas da discussão foram: O comércio de heroína, O jogo em Cuba, e o que fazer com Benjamin Siegel e seu projeto do hotel Flamingo em Las Vegas. A Conferência aconteceu no Hotel Nacional de Cuba e durou um pouco mais de uma semana.

Em 20 de dezembro, durante a conferência, Luciano teve uma reunião privada com Genovese. Em 1945, Genovese tinha voltado da Itália para Nova York, para ser julgado por uma acusação de em assassinato em 1934. No entanto, em junho de 1946, 4 meses depois de Luciano ser extraditado para a Itália, as acusações foram retiradas e Genovese estava livre para voltar aos negócios na América. Ao contrário de Frank Costello, Luciano não confiava em Genovese. Na reunião, Genovese tentou convencer Luciano a ser o Capo Di Tutti Capi (chefe de todos os chefes) e deixar que ele, Genovese, executasse as ordens de Luciano e gerenciasse os negócios na América. Luciano rejeitou a sugestão de Genovese:

“Não existe mais um Capo Di Tutti Capi, eu acabei com esse título e todos viram. Se eu mudar de opinião agora, eu fico com o título, mas isso não depende de você. Agora você trabalha para mim e eu não estou com vontade de me aposentar. Você nunca me deixe ouvir isso outra vez, ou eu vou perder a paciência.” – Charles Lucky Luciano

A Conferência de Havana mal tinha começado e o governo dos Estados Unidos já sabia que Charles Lucky Luciano estava em Cuba. Luciano tinha se encontrado com Sinatra em público, e visitou muitos clubes noturnos, Sua presença na ilha já não era mais um segredo.

Os Estados Unidos colocaram pressão no governo cubano para expulsar Charles Luciano do país. Em 21 de fevereiro de 1947, o comissário de narcóticos Harry J. Anslinger informou ao governo cubano de que os Estados Unidos iriam bloquear todo o carregamento de medicamentos narcóticos para Cuba enquanto Charles Luciano estivesse lá. Dois dias depois, o governo cubano anunciou que Charles Luciano estava sob custódia e seria deportado para a Itália em 48 horas. Luciano foi colocado em um cargueiro turco que navegava para Génova na Itália.

 

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Charles Lucky Luciano

 

Charles Lucky Luciano na Itália

Depois da viagem secreta de Charles Lucky Luciano para Cuba, ele passou o resto da vida na Itália sob vigilância policial.

Quando Luciano saiu de Cuba e chegou em Génova em 11 de abril de 1947, ele foi preso e enviado para um presidio em Palermo. Em 11 de maio, uma comissão regional de Palermo informou Luciano para ficar longe de problemas e o soltaram.

No início de julho de 1949, a polícia de Roma prendeu Charles Lucky Luciano por suspeita de envolvimento no transporte de drogas para Nova York. Em 15 de julho, depois de uma semana na prisão, a polícia liberou Luciano, sem a apresentação de nenhuma prova ou queixa. Ele também foi permanentemente proibido de visitar Roma.

Em 9 de junho de 1951, Charles Lucky Luciano foi interrogado pela polícia de Nápoles pela suspeita de ter trazido ilegalmente 57.000 dólares em dinheiro e um carro americano para a Itália. Depois de 20 horas de interrogatório, a polícia liberou Luciano, sem qualquer acusação.

Em 1952, o governo italiano revogou o passaporte italiano de Charles Lucky Luciano depois de receber reclamações das autoridades americanas e canadenses sobre a aplicação da lei.

Em 19 de novembro de 1954, uma comissão judicial italiana em Nápoles investigou e aplicou restrições para Charles Lucky Luciano durante dois anos. Ele foi obrigado a comparecer na delegacia todos os domingos, a ficar em casa todas as noites, e estava proibido de sair de Nápoles sem autorização da polícia. A comissão de investigação citou um suposto envolvimento de Charles Luciano no comércio de drogas como razão das restrições.

 

A vida pessoal de Charles Lucky Luciano

Em 1929, Charles Lucky Luciano conheceu Gay Orlova, uma dançarina talentosa em uma das principais casas noturnas da Broadway. Eles eram inseparáveis, mas nunca se casaram. O relacionamento durou até a prisão de Charles Luciano em 1936.

No início de 1948, Luciano conheceu Igea Lissoni, uma italiana dançarina de discoteca que era 20 anos mais nova do que ele. Lucky Luciano a descreveu mais tarde como o amor de sua vida. Lissoni passava os verões com Lucky Luciano. Algumas pessoas dizem que eles se casaram em 1949 mas outras afirmam que eles só trocaram anéis. Luciano e Lissoni foram morar juntos na casa de Luciano em Nápoles. Luciano adorava Lissoni, mas mesmo assim ele manteve seus casos com outras mulheres, o que causou muitas discussões com Lissoni que, muitas vezes, terminavam em violencia física, onde luciano batia nela. Em 1959, Lissoni morreu de câncer de mama.

Luciano não teve filhos. Uma vez ele justificou isso dizendo: “Eu não queria que nenhum filho meu tivesse que passar a vida como o filho de Luciano, o gângster. Eu ainda odeio Dewey por me transformar em um gangster aos olhos do mundo“.

 

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A luta pelo poder

Em 1957, Genovese se sentia forte o suficiente para se voltar contra Charles Lucky Luciano e Frank Costello. Genovese recebeu ajuda de Anastasia. No dia 2 de maio de 1957, por ordem de Vito Genovese, Vincent “Chin” Gigante emboscou Frank Costello no saguão de seu apartamento dizendo: “Isto é para você, Frank“, e quando Costello se virou, Gigante atirou na cabeça dele. Depois de atirar, Vincent fugiu achando que ele tinha matado Frank Costello mas a bala só pegou de raspão na cabeça de Costello que não sofreu nenhum dano grave.

Gigante foi preso pelo crime mas Frank Costello, seguindo a ormeta, se recusou a cooperar com a polícia e Gigante foi absolvido no julgamento, de onde saiu agradecendo a Costello na sala do tribunal depois do veredicto.

Costello foi autorizado a se aposentar depois de ceder o controle da Família Luciano para Vito Genovese, que depois mudou o nome da família para “Família Genovese“. Charles Lucky Luciano, exilado na Itália, não pode fazer nada para impedir Genovese. Em 26 de outubro de 1957, Genovese e Gambino planejaram o violento assassinato de Albert Anastasia, outro aliado de Charles Lucky Luciano, em uma barbearia. Gambino assumiu a família Mineo que agora é conhecida como Família Gambino. Nesse ponto, Genovese era o chefe da comissão e controlava a Cosa Nostra.

Vale lembrar que Frank Costello é o único chefe da máfia que conseguiu se aposentar e deixou a máfia sem ser assassinado. Para isso, Costello precisou jurar que levaria todos os segredos da Cosa Nostra para o túmulo.

Em novembro de 1957 Genovese convocou uma reunião dos chefes da Cosa Nostra em Apalachin, Nova York, para aprovar seu controle sobre a família Luciano e estabelecer seu poder nacional. Mas nada saiu como esperado, a Reunião de Apalachin se transformou em uma grande confusão quando a polícia invadiu a reunião. Mais de 65 mafiosos de alto escalão foram presos e a Cosa Nostra ganhou publicidade nacional e muitas intimações. Os chefes da máfia ficaram enfurecidos e culparam Genovese pelo desastre, isso abriu uma janela para todos que tinham alguma queixa conta Vito Genovese e que pretendiam se vingar.

Charles Lucky Luciano, Frank Costello, e Carlo Gambino se reuniram em um hotel em Palermo na Sicília, para discutir o plano de ação. Gambino tinha abandonado Genovese, e depois desse encontro em Palermo, Luciano pagou 100.000 dólares para um traficante incriminar Vito Genovese em uma transação de drogas.

Em 4 de abril de 1959, Vito Genovese foi condenado em Nova Iorque por conspiração para violar as leis federais de narcóticos. Ele recebeu uma pena de 15 anos e até a sua morte na prisão em 1969 Genovese ainda planejava os assassinatos dos traidores da sua família, mas, ele já não tinha nenhum poder e nunca colocou seus planos em prática. Enquanto isso, Gambino se tornou o homem mais poderoso da Cosa Nostra e assumiu o controle da Comissão.

 

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A morte de Charles Lucky Luciano

Em 26 de janeiro de 1962, Charles Lucky Luciano morreu de ataque cardíaco no Aeroporto Internacional de Nápoles, é um tipo raro de morte entre os mafiosos, já que eles costumam ser assassinados. Luciano tinha ido ao aeroporto para encontrar o produtor americano Martin Gosch e conversar sobre um filme baseado em sua vida. Para não contrariar os outros membros da Cosa Nostra, Lucky Luciano tinha recusado outras propostas para um filme mas mudou de ideia depois da morte de Lissoni. Depois da reunião com Gosch, Charles Luciano sofreu um ataque cardíaco e morreu. Luciano não sabia que estava sendo seguido pelos agentes de drogas italianos que estavam no aeroporto na expectativa de prendê-lo sob a acusação de contrabando de drogas.

Três dias depois, 300 pessoas participaram do funeral de Charles Lucky Luciano em Nápoles. O corpo de Lucky Luciano passou pelas ruas de Napoles em um carro fúnebre preto puxado por cavalos. Com a permissão do governo dos Estados Unidos, os parentes de Lucky Luciano trouxeram seu corpo de volta para Nova York, para o enterro. Ele foi enterrado no Cemitério de St. John em Middle Village, no Queens. Mais de 2.000 pessoas compareceram ao seu funeral, muitos eram amigos antigos de Lucky Luciano. Carlo Gambino fez um elogio na ocasião.

Além de Charles Lucky Luciano, Carlo Gambino foi o único chefe da máfia a ter controle total sobre a Comissão e sobre todas as outras famílias da máfia italiana nos Estados Unidos.

Quando se fala na máfia italiana e na Cosa Nostra, geralmente alguém levanta a questão sobre quem era maior entre Charles Lucky Luciano e Al Capone. Os feitos de Al Capone em Chicago foram muito divulgados e fizeram dele o mais famoso mafioso na história americana, mas ele não tinha nenhuma influência sobre outras famílias mafiosas como Charles Lucky Luciano conseguiu por décadas através da Comissão.

Em 1998, a revista Time elegeu Charles Lucky Luciano como o “gênio do crime” e uma das 20 personalidades mais influentes e poderosas do século 20.

 

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